Entrevista Maria Aline

Maria Aline, 25 anos.

Estudo para alcançar o sonho de ser Veterinária, que é algo que gosto, levo jeito e já faço há algum tempo.


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Na infância, eu sofri racismo. Eu era a única menina loirinha no meio de várias crianças morenas, negras. Elas me chamavam de amarela. Eu sou a cara da minha vó, que é índia. Eu não sou japonesa.

As pessoas ainda têm mania de falar: “Ai, precisa tomar mais sol!” “Por que não toma sol?” “Tá muito branca!”. Essas brincadeiras que eu não gosto. Porque se você chegar para uma pessoa negra e falar: “Para de andar um pouco no sol, você tá muito moreno!”, isso é uma ofensa. Mas as pessoas não percebem que também é uma ofensa falar isso para uma pessoa branca. Por quê?

Eu tenho que ter vergonha da minha cor?

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No começo a gente não entende muito a situação. Porque você não vai mudar de pele. Eu tomava sol, ia à praia, mas eu sempre ficava vermelha, não ficava bronzeada, da cor do pecado. Nunca fiquei. Então pra mim é sofrimento. Foi uma coisa que foi passando com o tempo, eu não tive muito que fazer.

Quanto ao estilo, quando suavizava uma questão, abria outra. Eu comecei a curtir rock, e eu era a menina branquinha, eu sempre gostei de desenhar roupa, de maquiagem. Comecei a escutar um som mais pesado. As pessoas passavam na frente da minha casa, gritavam e me chamavam de doida.

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Aos poucos, comecei a perceber que eu não era igual ao pessoal de onde eu morava, comecei a entender que não era porque as pessoas não gostavam de mim, mas porque tudo que é diferente assusta, e eu assustava porque eu estava totalmente fora dos padrões deles. Nunca fiz o perfil dos padrões e, para completar, eu comecei a gostar de um som que ninguém conhecia.

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O que eu digo para as pessoas que sofrem com o preconceito é que elas saiam dessa cidade. Vão ver o mundo, vão para onde vocês estão iguais aos seus iguais. Ninguém fica onde você não é bem vindo. A cabeça do pessoal não vai mudar, a sua é que tem que mudar.

Parei de me preocupar com o que os outros iam pensar, porque eles sempre vão achar o contrário de você, eles sempre vão achar o pior.

Tem gente que ainda tem uma mente pequena, em Maceió principalmente, onde tem muita gente que ainda não aceita nada que for muito diferente do padrão.

(♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Over The Hills And Far Away @ Nightwish

Por quê? “Trata da questão de desbravar, de conseguir ver além das montanhas. É uma música que me coloca pra cima e que, sempre que toca, eu pulo muito”.

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