Entrevista Messias Júnior

Messias Júnior, 33 anos.

Sou Fotógrafo.


Messias 1

Sabe, o preconceito é muito sutil às vezes. Eu sou filho de pais extremamente cabeça aberta, sossegados e nunca tive problema em relação a liberdade. Mas a medida que você vai crescendo, você precisa se enquadrar em algum tipo de tribo, ou de gosto musical, ou de roupa, o que quer que seja. Desde que você não seja muito diferente.

Desde pirralho eu gostava de filme de terror, gostava de mexer em computadores, programar  e videogames. Eu era o típico nerd que hoje todo mundo adora e acha bonito, mas antigamente ninguém dava valor. Eu era sempre o menino que ficava encostado, o garoto que assim: “Nossa, ele é inteligente demais. Ou ele lê demais, ou é chatinho demais”.

Nunca joguei bola na vida, nunca fiz as coisas que os meninos da época faziam. E aí eu fui automaticamente excluído, mas até então isso não era o problema porque eu tinha a minha “galerinha” né? Aí as coisas vão passando, o tempo vai passando e eu me envolvi com música. Sou baterista desde os 17 anos, tive uma banda durante 15 anos. E assim, eu sou o cara que tocava numa banda de Death metal extrema, mas não bebia e não fumava, mas ao mesmo tempo curtia rock e gostava de ler.

Durante muito tempo em várias situações, familiares, amigos enfim, as pessoas não entendiam minha personalidade e normalmente diziam: “Cara, o que é que você é? Porque você anda com esse tipo de gente? Porque você usa esse tipo de roupa?” e a velha pergunta acompanhada, “Porque é que você ouve essa música horrorosa?!”.

Isso é uma coisa que eu ouvi durante toda a minha vida. Procuro não me preocupar muito com isso, mas senti em vários momentos e vejo que as pessoas perdem oportunidades. Parece pequeno, mas quando você junta isso numa vida, no dia-a-dia, isso se torna bem cansativo. Você tem que provar todos os dias pras pessoas quem você é, que você não se parece com ninguém, mas o fato de você não se parecer com ninguém não faz com que você não exista.

Você existe, você tem opinião. Você tem qualidades, você tem defeitos. Só que você não é igual a todo mundo e isso algumas pessoas demoram a entender.

Messias 2

Hoje eu não sofro mais, estou um pouquinho crescido e acabei me acostumando. Hoje as pessoas já aceitam de uma forma muito mais sossegada. Agora eu vou falar como um velho mas há 10 ou 15 anos atrás, a gente tinha uma sociedade que estava começando a ver o que era internet, começando a ver o que era tecnologia, enfim, outros mundos, outras culturas.

O politicamente correto não era o politicamente correto que a gente tem hoje. Há 10 anos atrás eu sairia na rua com uma blusa do Iron Maiden e seria tachado de marginal, tomaria uma dura da polícia. Hoje não, você vai numa loja de departamento do shopping e tem pra vender. E as menininhas de todas as idades estão achando lindo.

Então assim, mudou muita coisa. O preconceito mudou muito, hoje ele é mais sutil, mais mascarado. As pessoas continuam com a mentalidade extremamente preconceituosa, mas o politicamente correto deu uma segurada em todo mundo.

Hoje as pessoas pensam mais antes de falar, e elas se fecham mais e se seguram um pouquinho mais antes de emitir uma opinião.

Messias 3

Para as pessoas que passam por situações preconceituosas é que de uma forma sossegada, sem stress, sem extremismo, você deve se impor. Você não precisa provar pra ninguém quem você é, você precisa provar pra você quem você é.

É descobrir o que você gosta e seguir em frente. Um cara de quem eu sou extremamente fã é o Chico Anísio, e recentemente em uma entrevista que ele deu, ele citou uma frase genial de Pascal:

“Eu não tenho vergonha de mudar de ideia, porque eu não tenho vergonha de pensar”.

Eu achei isso genial. Cara, a gente pode estar errado, a gente pode mudar. Não dá valor ao que os outros falam, ao que as outras pessoas ditam. Muita gente vai te dar conselhos muito bons mas, as maioria das pessoas não sabe o caminho que você trilhou, não sabe os passos que você deu então, pra quem está de fora julgar é muito fácil. Conhecer o caminho é diferente de percorrer o caminho, então percorra o caminho, imponha. Sem denegrir ninguém, sem passar por cima de ninguém.

Se você quer ser um baterista de Death Metal que curte andar de preto e jogar videogame, seja, curta. Seja feliz somente.

Messias 4

(♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Death @ The philosopher

A música é de uma banda que é a minha banda do coração (depois do Iron Maiden). Nessa música do Death, tem um refrão que fala exatamente isso, o filósofo, você sabe muita coisa sobre nada. A gente vê muita gente ditando regras e falando o que é o certo e o que é o errado, e nem consegue dizer o que é certo e errado pra própria vida. Se sabe muito sobre coisa nenhuma. Vamos aprender, a vida é um aprendizado eterno!

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5 comentários sobre “Entrevista Messias Júnior

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