Entrevista Tânneron Antônio

Tânneron Antônio, 24 anos. 
Sou supervisor de qualidade e administrador.

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Sofri preconceito pela questão da minha cor, no caso, preconceito étnico. Fui a um restaurante com minha namorada, antes de praticar meus exercícios rotineiros e aconteceu que, quando fomos na lanchonete, não fomos atendidos pela recepcionista. Sentamos e ficamos aguardando receber o cardápio porque era a primeira vez que tínhamos ido naquele local. Quando reparei que chegaram outras pessoas e ela foi prontamente atender todo mundo, entregou os cardápios e tudo mais, me dei conta que seria difícil poder fazer nosso pedido, só não sabia o porque.
Eu me levantei e perguntei a ela a quem nós poderíamos fazer o pedido. E ela simplesmente respondeu: “Pedidos pra viagem são feitos no caixa”. Eu não gostei do tipo de resposta, pois entendi que deveríamos fazer o pedido e ir embora, não poderíamos ficar no local. Minha namorada me aconselhou a sair de lá, sem fazer nenhum tipo de confusão. Algum tempo depois, eu fiz uma reclamação nas redes sociais e a filha dos donos veio ao meu encontro para acertarmos o acontecido. Eu disse que não queria “a cabeça” de ninguém, que não queria nenhuma demissão ou confusão mas, prontamente avisei que os donos prestassem mais atenção no que os funcionários fazem.
Também sofri um outro caso, há alguns anos atrás, quando eu tinha uns 16 anos e dava aula de judô e aula particular pra conseguir algum dinheiro. Consegui um dinheiro legal e chamei a minha namorada pra ir comigo num dos melhores restaurantes aqui em Maceió. Como ela morava perto, ela chegou primeiro. Quando eu cheguei no local, fui imediatamente barrado pelo garçom que estava lá atendendo todo mundo e, após a confusão minha namorada foi até mim e disse que eu estava com ela. Só foi-me permitida a entrada após isso. Mesmo depois disso, todo o atendimento que ele fez foi somente direcionado a ela, como se eu não existisse ali. Imagine um rapaz de só 16 anos sendo barrado por um motivo banal.
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Atualmente faço questão de selecionar bem os locais onde eu vou, faço questão de dividir bem aonde eu piso ou com quem eu ando. Porque as pessoas com quem eu ando agora são pessoas de mente aberta, são pessoas de confiança. Não tenho com o que me preocupar com essa questão de desrespeito a minha pessoa, ou a qualquer característica que eu tenha.
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Desde pequeno meu pai sempre me falou, “eu sou filho de um negro com uma caucasiana”. Ele também sempre me alertava que essa questão existia, mas eu só vim entender o sentido disto depois de ter sofrido o preconceito aos 16 anos.
Ele me ensinou que a única coisa que vai sobressair em cima desse tipo de atitude é nossa educação.
Após esses acontecimentos, o ensinamento que meu pai me passou só me fez  me sentir mais forte. Eu não preciso devolver na mesma moeda.
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Para as pessoas que passam por situações como essa eu digo para que em nenhum momento baixem a cabeça pra nada do que as pessoas falem, apenas tentem dar o melhor e seja melhor. Se por ventura acontecer algo que denigre muito sua imagem, procure as pessoas responsáveis que cuidam dessa questão. Não fique calado, expresse, fale, porque isso vai mostrar que as pessoas estão fazendo algo de errado. É bom que as pessoas falem, pra que esses casos diminuam cada vez mais.
(♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Haunted @ Disturbed
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2 comentários sobre “Entrevista Tânneron Antônio

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