Entrevista Vanda Farias

Vanda Farias, 45 anos.

Sou assistente administrativa do município de Maceió.


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Quando eu tinha 1 ano, e tive paralisia infantil. Por minha família não ser muito instruída, eu acabei não tomando a vacina e fiquei tetraplégica. Hoje, com fisioterapia e cirurgias, sou praticamente independente mas, já passei por vários tipos de preconceitos e dificuldades que me fizeram mal.

Eu sempre sofro com transportes públicos, principalmente quando eu peço táxi. É preciso procurar um táxi com mala grande para caber minha cadeira e que esteja disponível, é sempre mais difícil. Em um das vezes o taxista não quis me levar por não ter sido informado de que eu era cadeirante, então tive que esperar outro táxi que quisesse me levar.

Já tentei me dirigir a pessoas nos lugares para pedir ajuda para segurar uma sacola ou pegar algo que não alcanço, e a pessoa simplesmente virou o rosto e continuou andando. Os poderes públicos não pensam em estruturar a cidade pra gente, se você não tem uma cadeira motorizada, você tem que andar na rua. Eu tenho um amigo também cadeirante que inclusive foi atropelado por estar andando na rua, foi parar no hospital porque a cadeira caiu e foi atropelado.

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Geralmente as pessoas se surpreendem comigo porque eu sou uma pessoa comunicativa. Acho que eu superei bem o meu próprio preconceito, de me aceitar, aí as pessoas já me vêem diferente. Eu trabalhei com um rapaz que me disse: “Vanda, depois que eu te conheci eu mudei meu conceito de pessoa cadeirante”. As pessoas imaginam pessoas fechadas e introvertidas.

Hoje eu aceito o que eu sou, e depois que você supera o preconceito, tudo fica mais fácil!

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Eu procuro agir naturalmente, ser uma pessoa comum, com necessidades, desejos e sonhos, que corre atrás. Eu decidi mudar quando eu comecei a ficar muito dependente das pessoas. Eu gostava muito de ir a praia e só podia ir quando alguém se disponibilizava para me levar. Eu pensei: Não, eu tenho que ser feliz. Eu conheço pessoas que têm deficiência e não conseguem se aceitar, não conseguem ter uma vida normal.

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A gente se sente muito mal, mas não dá pra se deixar levar por outra pessoa que te faz o mal.

Hoje, dia 24 de novembro, quando voltava do trabalho me deparei com uma cena que me emocionou: um pai pegava sua filha no colégio e atravessava a rua com ela para chegar ao carro, estacionado próximo. Mas havia um detalhe, a criança, uma linda garotinha estava em uma miniatura de cadeira de rodas com detalhes em rosa. Me comovi, não por pena, mas por me identificar com a cena.

Me remeti ao meu começo de tudo. De tudo que eu teria que passar e tudo o que passei. Muitos obstáculos a serem enfrentados por ela, semelhantes aos meus., mas que agora considero vencidos/superados em sua maioria. O aprendizado foi e tem sido árduo, mas belo e recompensador. Cada um com seu valor diferente: a busca do espaço, amigos, primeiro amor, faculdade, diversão, decepções, conquista do diploma, emprego, enfim o aprendizado continua!

Tenho muito a agradecer aos meus pais, família, amigos e principalmente a Deus. Não sei como seria se eu andasse, acho que não seria eu! Gosto de ser do jeito que sou.

Aprendi a valorizar o diferente. Sou diferente, eu tenho “rodas”, e é isso aí! Acho que a gente não deve revidar o preconceito e também não ter raiva de ninguém, apenas seguir em frente. A paz é a aceitação. Se você tem uma dificuldade na vida, você precisa aceitar e aprender a lidar com a dificuldade, quem mais sofre com isso é você mesmo.

(♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Paralamas do Sucesso @ Olhos fechados

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6 comentários sobre “Entrevista Vanda Farias

  1. Teresa você também é muito especial pra mim! Sempre me incentivando e me apoiando nos momentos difíceis com serenidade e carinho todas as vezes que preciso. Beijo minha irmã!

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  2. Muito bem querida irmã! Você é especial pra mim, mas não pela sua condição física, e sim pela pessoa maravilhosa que você é. Parabéns por todas as suas conquistas e tenho certeza que muitas outras virão.

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  3. É isso aí Vanda. Sou uma das irmãs que acompanho-a desde o inicio. Nossa família tem Vanda paraplégica e temos o sobrinho Rodrigo que é surdo e também um grande exemplo de superação. A família, sabe lidar muito bem com as diferenças.

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