25 de Novembro – Dia Internacional de Luta contra a Violência sobre a Mulher

Hoje, dia 25 de novembro, dia internacional de luta contra a violência sobre a mulher, temos uma história exemplar. Denise Olis quebrou o seu silêncio e ajudou amigas a denunciarem os seus agressores.

Que essa 14ª entrevista sirva de exemplo para muitas mulheres saírem do seu silêncio!


Denise Olis, 35 anos

Eu sou Assessora Pedagógica.

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Bom, primeiramente eu vou falar sobre a violência doméstica, que eu jamais imaginei na minha vida que iria passar por esse tipo de situação. A partir disso, foram uma série de coisas que aconteceram.

Quando eu cheguei à delegacia para fazer o boletim de ocorrência a própria delegada me olhou e disse: “Há, mais uma que apanhou do marido, traga ela para cá!” pedindo que eu me dirigisse até a sua sala. Quando cheguei, a escrivã começou a fazer o boletim de ocorrência e, enquanto isso, a delegada me falava: Você sabe que isso ai não vai dar em nada né? E eu prontamente perguntei, “como não?”. Existem campanhas e mais campanhas sobre isso na TV incentivando que a gente denuncie, porque o agressor não pode ficar impune. Quando a gente chega na delegacia é esse o tratamento que eles oferecem? É esse o “tratamento vip”? É um absurdo!

A gente chega precisando de um apoio psicológico e é isso que eles oferecem. E a delegada ainda me responde: “É porque nós temos outras prioridades, nós temos vários casos como esse para resolver e o seu caso foi só de agressão, não teve ameaça de morte!”

Denise 02

A delegada nem havia ouvido o meu depoimento completo, como ela podia ter certeza de que não houve ameaça de morte? Acabei discutindo com a ela e foi necessário retira-la da sala. Continuei então o boletim de ocorrência com a escrivã, porque ela simplesmente não acreditava no que eu havia para dizer. Ela achava que eu era mais uma que havia apanhado do marido e serviria de estatística. Não estava ali de brincadeira, mesmo todos achando que após uma semana eu iria retirar a denúncia e voltar para o agressor.

Ninguém, absolutamente ninguém, me incentivou a denunciar. Todos pediram para eu deixar para lá!

Denise 04

As pessoas ficam incrédulas em relação a isso sabe? Elas têm medo, tem vergonha de assumir que sofreram esse tipo de violência. Eu mesma pensava da mesma maneira. Achava que a violência doméstica acontecia mais por parte de mulheres que tinham certo tipo de dependência afetiva, mas quando eu me vi nessa situação, foi diferente. Eu tenho minha casa, meu carro, meu trabalho, eu nunca imaginei que isso iria acontecer comigo.

Acho que tudo isso é mais um preconceito com a mulher. Comprovei isso quando cheguei a delegacia, quando me julgaram como mais uma que gostava de apanhar do marido e que depois voltaria para ele. Também rola muito aquilo do machismo sabe, a mídia incentiva você ir, mas você chega na delegacia as pessoas te olham de cima à baixo, te prejulgam sem nem saber da sua história e, no fim, fica por isso mesmo.

Foi tudo muito difícil durante esse período. Eu não tive apoio nenhum da minha família, todos pediram para eu deixar para lá porque não valia à pena, mas na minha consciência e na minha concepção eu tinha que fazer alguma coisa, mesmo que não fosse dar em nada, mas eu fiz a minha parte!

Denise 05

Depois disso tudo eu comecei a ver que as coisas não eram bem do jeito que eu pensava. Para a mulher sofrer esse tipo de agressão ela não precisa sofrer de carência afetiva, pode acontecem com qualquer uma. Mas foi bom por um lado porque depois disso, ao conversar com algumas amigas minhas, eu descobri que algumas delas sofriam violência do pai, do padrasto, do marido, do namorado e eu ainda consegui que duas delas denunciassem o agressor, o que foi muito válido!

Justiça com as próprias mãos não funciona, mas se existem leis elas devem ser cumpridas. Quanto mais a gente exigir que elas sejam cumpridas, eu acho que ainda vale a pena nós lutarmos e continuar exigindo os nossos direitos.

É um direito da mulher ter a sua vida preservada. Não precisamos esperar que aconteça o pior para que só assim seja tomada alguma atitude ou providência por parte da policia. Porque eles só se mobilizam quando há uma tentativa de homicídio ou quando há um homicídio, ai já é tarde demais.

(♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Metal contra a núvem @ Legião Urbana

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