Entrevista Camila Braga

Camila Braga, 22 anos.

Sou estudante de jornalismo, último período.


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Na verdade não foi um preconceito, mas as pessoas tem um estereótipo sobre compulsão alimentar, e eu tenho compulsão alimentar. Eu sempre fui gordinha,nunca fui magra, só fui magra quando adoecia mesmo, sempre foi muito difícil pra aceitar isso, sempre ser desse jeito, gordinha. Além disso,eu sempre tive problema com comida, sempre comia, tudo o que eu tinha de relacionamento de ruim eu comia. Sempre ouvia as pessoas falarem: “pare de comer, você tá gorda” “Você está assim porque você não tem o que fazer” ou “Pare de sair pra comer pizza!”.

 Só que não era isso, não era só isso, eu não só comia porque eu não tinha o que fazer, eu comia porque eu simplesmente não via outra forma de soltar as minhas angústias, eu sempre fui ansiosa. Então se eu estava triste, eu comia, ansiosa, comia, até se eu estava super feliz, eu comia. Sempre foi o meu escape, e sempre tinha que ouvir esse tipo de coisa, quando eu nem mesmo saía pra comer. Eu não como em público! Eu evito, o quanto eu puder. Eu sinto como se as pessoas olhassem pra mim e falando : ” você está gorda, você não pode comer isso tudo”.

E posso dizer que o maior tipo de discriminação que eu sofri foi isso, “você está gorda porque você tá entediada, não tem o que fazer, tome vergonha na cara e vá malhar. “
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“As pessoas dificilmente entendem como é, tem uma visão completamente deturpada. Não entendem que o problema vem de dentro pra fora.”
Como compulsão alimentar não é uma coisa muito falada, as pessoas só julgam: “Vai se distrair, faz alguma coisa.”  Só que chega um momento que você está em casa, á noite, a hora que sempre dá as maiores crises, e você não pensa em nada, simplesmente bate um desejo louco e você come o que você vê pela frente. Comia 3.000 calorias, e no dia seguinte, você está passando mal! Porque você de fato come até passar mal. E aí você bota tudo pra fora. As pessoas costumam lidar desse jeito, elas formam uma ideia do que seja a compulsão alimentar e não entendem os motivos por dentro disso.
Eu nunca quis enfrentar, só recuava, nunca tive aquela cara de dizer:  “Eu tenho esse problema e eu vou tentar superar, não, pelo contrário, eu sempre afundei mesmo, tanto que eu engordei 30 quilos no período de um ano e meio, porque eu não queria sair, não queria fazer nada, só queria comer em casa e escondida. No meu quarto, tinha uma gaveta só de comida. Eu não dormia, só comia, e depois passava mal. Mas nunca lidei da forma como deveria ter lidado, da uma forma que as pessoas deveriam lidar.
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“Poxa,realmente eu tenho esse problema, mas eu tô tentando enfrentar, as pessoas não tem o direito de achar que o seu problema é melhor ou pior do que o delas.”
Como foi muito cedo, com 12, 13 anos eu já ouvia piadinhas, porque eu nunca fui magra, como eu disse, desde muito cedo eu tava sempre no lugar do alvo. Eu gosto muito de identificar pessoas que passam por isso.
Eu pude ter uma perspectiva mais sensível em relação ás pessoas.As pessoas parecem que não tem problemas, mas todo mundo têm problemas, e eu só tive esse lado, porque eu tive pessoas que se interessaram por mim e quiseram saber como eu estava. Então, hoje eu tenho essa visão que eu não tinha.
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“Eu gosto de conhecer uma pessoa hoje em dia e gosto de saber os problemas dela”
Você nunca vai agradar todo mundo, você pode ser magro, pode ser lindo, ter o cabelo mais bonito do mundo e a pele mais sedosa do mundo, você não vai agradar. Sempre vai existir alguém pra falar que tá feio, que está um horror e que você não vai conseguir. Que o seu problema é pouco em relação ao dos outros. Então não adianta, a melhor coisa que você pode fazer é se apoiar primeiro, se curar e esquecer o que as pessoas dizem. Se cure por dentro, e você tá pronto pra enfrentar o mundo, e as pessoas , porque você está curado. Acho que isso é o principal.
(♬) Uma música que quebra o meu silêncio é:  Satellite Heart @ Anya Marina 
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