Entrevista Elisa Lemos

Elisa Lemos, 21 anos.

Cantora.


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Na verdade, foram vários os preconceitos pelos quais passei. Sofri mais pelo fato de ser muito magra. As pessoas achavam que eu tinha alguma doença, simplesmente tiravam “onda” mesmo.

Isso acontece desde cedo, desde a escola. As pessoas me apelidavam de várias coisas. Coisas bestas, até, mas que me machucavam muito na época.
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Um apelido bonitinho foi “Olívia Palito”, que acho que toda pessoa que é magra já ouviu. Mas já ouvi “cabo de vassoura” também. As pessoas achavam que eu tinha anorexia ou anemia, então me chamavam de anoréxica, anêmica e vários outros apelidinhos.

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Eu, quando era mais nova, chorava muito. Depois, aprendi que o melhor remédio é ignorar.  Deixava quieto, ficava na minha. Tive poucos amigos no colégio, mas também, foram os melhores. Eles aceitavam não só o fato de eu ser magra, mas também muitas outras coisas, numa boa. Para eles, não era nada de mais. Diante do preconceito, eu recuava. Preferia não bater de frente. Porque era a mesma coisa que discutir ou ficar falando com uma porta, ou jogar xadrez com um pombo: não adianta de nada.

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O que passei, eu levo como uma fortaleza mesmo. A vida não é fácil, e tendo sofrido isso desde cedo, me fez saber que eu sou forte, me fez amadurecer um pouco mais, e me ensinou a saber lidar com os problemas.

Eu simplesmente ignoro. Quem gostar, gostou. Quem não gostou, problema!

Eu acho que já no final do colégio eu fui me aceitando e aceitando (a magreza). Antes eu não aceitava tanto. Depois que eu entendi qual era o meu valor, e que isso não depende de aparência. Quais os meus valores de fato. Eu fui me aceitando melhor também externamente. Isso foi ainda no colégio e, desde então, eu estou muito bem comigo mesma.
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Para as pessoas que passam por situações como essa, eu diria que nada disso importa, na verdade. No final das contas, todo mundo vai virar pó. E que cada um siga a sua vida.

Eu gostaria de ter sido tratada normalmente, como qualquer pessoa, não ter passado por isso. Mas eu até agradeço ter passado por tudo, porque senão, talvez eu não fosse quem eu sou. Acho que a melhor forma teria sido não ter provocado. Não gosta, mas também não mexe, não fica colocando pra baixo.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Diogo Braz @ Grande Angular

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