Entrevista Alzira e Louise

 Alzira, 51 anos e Louise Freire, 26 anos.

Professoras.


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Alzira

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Louise

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Alzira: Eu passei por várias situações com o preconceito. Por conta do meu estilo, por conta de gostar de coisas diferentes, usar batom azul. Já esfregaram batom no meu rosto, já me bateram no ônibus duas vezes, e já me ameaçaram na rua. Eu tive que fazer três vezes o exame quando passei no concurso do Estado, porque a médica da junta dizia que ninguém entendia o que eu dizia por conta dos piercings na minha boca, então eu não podia ser professora.

Louise: Essas discriminações também já aconteceram comigo, de apanhar no ônibus, já levei um tapão de um senhor de idade, porque ele disse que eu tinha uma tatuagem de demônio, quando era, na verdade, o gato sorridente de “Alice no País das Maravilhas”. E com emprego, já aconteceram duas vezes que foram gritantes comigo. Uma delas, eu fui para uma entrevista, eu tinha mandado apenas o meu currículo, a psicóloga me disse que eu estava sendo super esperada, e quando eu cheguei lá, depois da entrevista inteira, ela sorriu e disse: “Olha, é uma pena que você tenha esse carisma enorme e tenha essa aparência”. E da segunda vez eu já estava trabalhando há uma semana, mas ainda não tinha passado pelo setor de Recursos Humanos, e quando me chamaram, disseram que eu só assinaria o contrato se eu tirasse os meus piercings. Eu não assinei.

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Alzira: Assim que as pessoas me conhecem, elas têm dois tipos de reação: ou adoram, e se aproximam de mim por isso, ou saem como se estivessem olhando para um monstro.

Louise: Isso acontece também comigo. O mais difícil foi em casa. Todo mundo fica olhando esquisito para você, como se você fosse um ET. E o pior é quando as pessoas ficam dizendo: “Eu disse a você que você não ia arrumar um emprego por causa disso!”. Então, em vez de dar ajuda, de dar suporte, elas resolvem dizer que o resto do mundo tá correto e você que tá errada porque você escolheu ser diferente. Geralmente, é a mesma coisa: ou adoram porque sou assim, ou não, é porque eu sou terrível, rebelde e não amo Jesus.

Alzira: Uma coisa ela falou: “escolheu ser diferente”. Isso não existe. Nós somos diferentes, isso não é uma escolha. Os outros é que escolhem ser iguais. É que se metem numa forma todos eles e são iguais. Se eles acordassem e saíssem da forma, aí sim eles veriam que há diversidade, que cada um de nós é único. Não somos ovelhas.

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Alzira: Ter sido vítima do preconceito me mostrou que ninguém tem importância maior que a minha vontade. Eu sou do jeito que eu quiser e arrebento os dentes do primeiro que dizer que eu não posso ser.

Louise: Eu acho que a melhor resposta para o preconceito é a educação. Se você mostra para a pessoa que você não é o que ela espera, ela vai ter outra visão das pessoas que ela julgava, iguais a você.

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Louise: Para as pessoas que passam por situações semelhante as minhas eu digo que elas não abaixem a cabeça, que elas não desistam de ser quem elas são. Porque as pessoas são assim, totalmente diferentes umas das outras, e a gente não pode abaixar a cabeça.

Alzira: Não considero isso humilhação. Para você se sentir humilhado, é necessário que você ache que o outro é melhor que você. E ninguém é melhor do que eu. Eu não abaixo a minha cabeça para ninguém, não abaixo mesmo. E arrebento mesmo.

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♬) Uma música que quebra o nosso silêncio é: Matanza @ O Chamado do Bar.

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3 comentários sobre “Entrevista Alzira e Louise

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