Entrevista Leonardo Costa

Leonardo Costa, 31 anos.

Historiador por formação e professor de história, filosofia e sociologia.


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Por incrível que pareça eu nunca sofri preconceito no mercado de trabalho. Na verdade, eu trabalho com alargadores grandes, braços quase fechados mas, meu potencial nunca foi colocado a prova por conta disso. Pelo menos até então. A questão é que no final das contas, para compensar o fato de ter escolhido isso para mim, tenho que trabalhar dobrado pra mostrar que minhas escolhas não interferem no meu potencial e no meu conhecimento como historiador.

Apesar de ser uma escolha minha usar alargadores grandes e tatuagens em locais visíveis, as pessoas ainda tendem a não aceitar, ou simplesmente respeitar as diferenças. Você escolhe o que quer carregar para sua vida e, essas escolhas apenas pertencem a você. Mas que o preconceito existe, isso é um fato. E quando falo em preconceito, é no sentido das pessoas criarem um conceito sobre algo ou alguém que desconhecido e simplesmente se deixar levar pelas influências e padrões que a mídia impõe.

Já aconteceu, quer dizer, acontece ainda hoje, de estar em um coletivo e, pelo fato de eu ser tatuado, não sentarem ao meu lado. E também, casos como o de uma senhora ao meu lado, que se benzeu como se estivesse visto um demônio ou algo parecido.

Acho ainda maior que o preconceito, é a falta de respeito. É um grande problema.

Confesso que hoje em dia não me irrita tanto o fato das pessoas me olharem assim. Até porque foi uma escolha minha, e arcarei com elas para sempre.

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As pessoas tendem a estranhar o estilo. Algumas perguntam se dói muito, outras elogiam a coragem por fazer tais modificações ou perguntam qual o profissional que fez os trabalhos. Mas ainda tem gente que tem medo daquilo que não conhece. Quase sempre perguntam se sou tatuador e quando digo que sou professor de história, uma profissão tida como “conservadora”, as reações são as melhores. Mas vejo isso como algo positivo.

Quebrar paradigmas faz parte da minha vida.

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Hoje em dia eu não ligo muito. Se estiver em um coletivo, coloco meu fone de ouvido e entro no meu mundo particular, com os meus problemas. A partir do momento que eu resolvi colocar alargadores de 30mm ou “descer” o braço com tatuagens, sabia de todas as conseqüências. Com isso também acabei quebrando algumas expectativas (negativas) alheias. Mas, aqui estou eu. Formado, trabalhando (e muito!), fazendo minha vida e seguindo em frente.

Não acho certo passar minhas vontades por medo do que os outros vão achar ou pensar. A partir do momento que eu não interferir na vida do próximo, não há porque deixar minhas vontades passar.

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O preconceito que sofri foi motivado pela falta de conhecimento ou respeito alheio. Mas já passei também por situações complicadas por questão racial, minha avó materna é negra (e linda) mas, uma vez fomos ao shopping, eu, ela e meu irmão e percebi uma presença quase que colada na gente dos seguranças. Já deixei de ser atendido em lojas de grande porte na cidade também por ser tatuado.

Quem em pleno século XXI ainda julga alguém pelas suas escolhas? Tudo bem. Resta entender e ter pena de quem ainda pensa assim.

Ser vítima do preconceito mudou a minha concepção radicalmente. Perceber e respeitar diferenças vai além da minha escolha por ser tatuado, ou por alguém nascer negro, branco, gordo ou magro! Se você se aceita dentro do que você vivência, seja por escolha ou por simplesmente nascer diferente, o mundo que entre na sua dança e não você que mude a música. Isso serve pra qualquer situação. Mas claro, antes de tudo, para que isso aconteça, é preciso ser a mudança que queremos. Quando se tem esse discernimento, tudo flui de forma mais fácil.

A grande questão é: até onde você está disposto a aceitar as opiniões dos outros e, de que forma você vai aceitar elas na sua vida? Apenas absorva o que for positivo e o que for negativo, a vida se encarrega de mudar!

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Independente de escolha ou de ser ou de simplesmente ter nascido diferente, tenha orgulho de você mesmo e não deixe as pessoas falarem que você não é bom por não ser de cor tal, vestir numeração tal, ter tal modificação corporal ou o que lá seja. Se ame e levante a cabeça. Procure seus direitos e lute para sua voz ecoar ainda mais forte do que a voz daqueles que te oprimem!

A opressão só vai acabar a partir do momento que buscarmos por mudanças e lutarmos por ela!

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Qualquer uma da banda Sepultura. Simplesmente porque eles tiveram que lutar contra o preconceito existente na Europa e na América por fazerem um metal com raízes culturais brasileiras, quebrando o paradigma do metal mundial, o que se tornou referência para bandas como Slipknot.Hoje o Brasil é ainda mais respeitado e conhecido musicalmente pelo Sepultura, do que pela bossa nova por exemplo!

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