Entrevista Keila Amorim

Keila Amorim, 21 anos.

Sou estudante de Enfermagem.


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Sofri preconceito por causa da minha cor. Desde a infância eu moro com meus pais adotivos, que são meus padrinhos. E sou considerada como filha.

Num determinado dia, eu fui com minha irmã e com minha irmã em uma agência dos correios. Como minha família é branca e eu sou negra, eu estava sozinha e uma mulher se aproximou, me dizendo que não tinha nada para me dar.

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Outra situação que passei foi em um Réveillon em Paripueira que eu fui com os amigos da minha irmã. Algumas pessoas que nem todo mundo conhecia foram chegando, e eu só as ouvia me dizendo para fazer as coisas, pegar isso ou aquilo, e eu fiz, sem pensar mal disso. Até que alguém perguntou por que estavam me pedindo para fazer as coisas, e responderam que era porque estavam pensando que eu era a empregada. Minha irmã disse que não, que eu era irmã dela, e que eles deveriam me respeitar. É engraçado como as pessoas discriminam pela cor.

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Geralmente, isso acontecia muito quando era pequena. Eu costumava chorar muito e acabava ficando com vontade de ir embora. A partir dos 10 anos eu passei a ter mais noção das coisas que aconteciam comigo. Quanto à música, eu acabei encontrando na música uma fuga, fazendo composições, passando para o papel o que eu estava sentindo.

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Ter passado por situações como essa me fez ver a vida por outro lado e seguir. Até com relação ao cabelo, pois, quando eu era pequena eu também sofri muita discriminação por causa dos meus cachos. Me chamavam de cabelo de vassoura. Eu cheguei a mudar para seguir os padrões, mas hoje em dia, eu estou em período de transição em relação aos meus cabelos. As pessoas questionam e eu penso que, se é a minha origem, é ela que eu quero seguir.

As pessoas ligam muito para os padrões exigidos pela sociedade, mas eu não preciso segui-los. Se eu sou feliz assim, eu vou ser assim.

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Para pessoas que passam por situações como a minha eu diria para elas tentarem fazer como eu, para não darem muita importância a isso. Viva a sua vida, tente ser feliz. Essas pessoas, infelizmente, são hipócritas com tudo. Não aceitam as diferenças dos outros.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: ForFun @­ Morada

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