Entrevista Naira França

Naira França, 39 anos.

Atualmente sou estudante de publicidade e propaganda.


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Há alguns meses eu tive um problema de saúde e depois de idas e vindas ao médico, eu descobri que eu sou portadora de uma doença autoimune chamada Lúpus. É uma doença rara, não tem cura, e é grave. De 10 pessoas que têm lúpus, 9 são mulheres.

Geralmente o Lúpus atinge os órgãos, em mim, atingiu a pele. O preconceito que sofro é porque as pessoas não conhecem a doença, e o nome dela também assusta. As pessoas acham que é uma doença venérea, que é contagioso, só que não é.

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O Lúpus é uma doença que ainda está sendo estudada e que não tem cura, por isso, muitas pessoas não a conhecem e pouco se fala dela. Além disso, poucos médicos a consideram como a primeira possibilidade quando um paciente chega ao consultório. Então, até o diagnóstico é difícil de ser dado.

Muitas pessoas pensavam que eu tinha AIDS e, quando me viam, ficavam me olhando assustadas, querendo sair de perto, porque achavam que era contagioso. Como também cai o cabelo, você fica com muitas manchas pelo corpo, isso assusta as pessoas, em vez de despertar a vontade de ajudar.

As pessoas não têm dimensão de que o que elas estão dizendo vai te magoar. O que vier na cabeça na hora, elas falam. Elas não pensam. É a forma de falar que acaba atingindo você.

Claro que, no meu caminho, encontrei pessoas que não tiveram essa postura. Mas a grande maioria teve. Essa foi uma das coisas que eu passei com Lúpus. As pessoas têm certa resistência. Você se depara com muita ignorância.

Quando você está passando por um processo de uma doença que é devastadora tanto interna quanto externamente, isso começa a atingir o seu psicológico. Você fica muito sensível naquele momento, e começa a ver o mundo de uma forma diferente e começa a analisar a personalidade das pessoas. Estou num processo muito complicado, no momento.

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Hoje, eu peguei essa dor que eu sentia e estou transformando ela para ajudar as pessoas. O meu objetivo é esse!

Como sempre trabalhei com a área da Comunicação, sempre fui comunicativa, conheço muita gente, então, eu penso que, de alguma forma, eu tenho que mostrar para o mundo que a gente existe e que todos precisam saber que eles também podem ter essa doença. Ninguém está isento. Com o stress em que a humanidade se encontra, então é que vai ter mesmo.

Eu transformei a minha dor em uma luta.

Pretendo formar uma ONG aqui em Alagoas, já tenho uma Fanpage no Facebook, que é “O Mundo das Borboletas – Lúpus Alagoas”. Somos conhecidos como borboletas porque o Lúpus faz uma mancha vermelha na época da crise, que são como “asas de borboleta”, e como você passa por uma transformação, a gente pegou a biologia da borboleta, que passa por todo o processo de ser uma lagarta e se tornar uma borboleta, então, para ficar uma coisa mais bonita, adotamos a borboleta como símbolo. A borboleta é o símbolo dos portadores de lúpus.

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Até eu mesma, como pessoa, eu não me via como uma pessoa preconceituosa, mas eu tinha um pouco de preconceito. Quando eu saía para a noite, eu via aquelas meninas que estão em baladas, mais “danadinhas”, com certo preconceito. E, no entanto, eu não conseguia enxergar por que elas eram assim. Hoje, eu consigo estudar, antes de formar um pré conceito, para tentar entender o porquê de as pessoas serem como são.

Quanto ao preconceito que recebi, eu vejo como uma ignorância, porque a doença não é divulgada. Se eu vejo que isso é uma das coisas, eu tento lutar contra isso, que é a falta de conhecimento. Que, às vezes, a gente não tem por parte dos governantes.

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Meu recado para as pessoas que assim como eu, passaram por algum preconceito é que não fiquem caladas. Exponham o que pensam. Também vejam o lado das pessoas que estão com problemas, se ponham no lugar das pessoas, até mesmo no lugar de quem está tendo preconceito com você.

Se pergunte por que ela está tendo esse preconceito? Ela sabe o que está passando? Como foi a vida dela? Você tentou explicar? Muitas vezes ficamos calados e, com isso, permitimos que as pessoas pensem e falem o que querem da gente. E nós temos muitos modos de mostrar o que a gente pensa. É só querer!

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Titãs @ Epitáfio

Eu vivia num mundo que eu só fazia o que era de acordo com o mundo. Eu queria fazer, mas não fazia por achar que não dava.

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2 comentários sobre “Entrevista Naira França

  1. Como eu a compreendo,tambem tenho lupus o meu tamb me afetou o rosto fiquei num estado muito lastimoso e senti o mesmo que voce ,a ignorancia e o medo que sentiam e o afastamento de quase todos.

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