Entrevista Eduardo Silva

Eduardo (Edu) Silva, 27 anos.

Sou produtor fonográfico, músico e estudante de arquitetura.


Dudu 01

Já passei por alguns preconceitos, principalmente quando era mais gordinho, durante o período da escola. Mas falarei um pouco sobre o preconceito que existe pela escolha da minha profissão e o estilo de vida que decidi seguir.

O pessoal me pergunta com o que eu trabalho e, quando eu dizia que eu era músico, as pessoas perguntavam mais uma vez: “Não, mas você trabalha realmente com o quê?!”. Então, eu ficava naquele dilema. As pessoas não reconhecem o músico como uma pessoa que trabalha dignamente. Para a sociedade, você precisa ter um trabalho “real”, ortodoxo.

Dudu 02

Geralmente eu tento lidar com essas situações da forma mais natural possível. A gente tem que entender que as pessoas são preconceituosas, e que elas têm conceitos pré-formados por conta da educação que elas tiveram, da própria inserção delas na sociedade.

As pessoas têm essa pré-concepção de que o músico é sempre o cara que vai fazer barato porque outra pessoa sempre vai fazer mais barato, as pessoas acham que você está ali para participar da festa, e você está ali para fazer a festa acontecer. Nesse sentido, você é muito discriminado. E aí, para não ter que largar o trabalho com a música, eu tratei de montar o meu próprio estúdio. Eu trabalho com gravação, faço todo tipo de produção fonográfica e, a partir desse momento, eu passei a ser um pouco mais respeitado.

Dudu 05

Hoje em dia, as reações das pessoas mudaram. Elas pensam: “Olha, ele é dono de estúdio, ele é empresário!”. As pessoas sempre acabam levando para o lado ortodoxo, com o qual você consegue justificar as coisas. Ainda está um pouco difícil de fazer as pessoas entenderem.

Eu tento lutar da melhor forma possível, tentando orientar as pessoas, eu tenho um canal no Youtube, onde eu falo sobre a experiência de trabalhar com música, de ter filho para criar e ser sustentado por isso, o fato de ser desvalorizado. Por exemplo, em Maceió, que é um lugar bem difícil de viver de música, existe um “cartel dos contratantes”, que vão sempre estipular o seu valor, sem importar que o seu trabalho seja bom. Não importa que o seu trabalho seja bom. Eles que vão dizer que o seu trabalho custa o quanto eles querem pagar.

Dudu 04

Até hoje tento não me irritar com as opiniões alheias. Antes, compreendia, mas por dentro, eu ficava remoendo. Hoje, eu consigo entender um pouco mais, até por uma questão de maturidade. A gente vai tendo outras formas de pensar à medida que o tempo vai passando, é normal.

Ser vítima do preconceito mudou as minhas percepções sem dúvida. Muda porque você quer combater. Você quer achar uma forma de combater, quer encontrar um meio de dizer que o que você faz é muito digno, sim, e que merece respeito.

O trabalho do músico é um trabalho que deve ser respeitado. Não só o do músico, mas o de qualquer outra pessoa que trabalhe com arte. Você conseguir justificar a sua arte como uma coisa valiosa e importante, em uma sociedade cheia de pré-concepções, fica um pouco complicado de conseguir dar aquele impacto de que estamos fazendo uma coisa realmente séria.

Dudu 06

Meu recado para as pessoas que passam por situações como a minha é que nunca percam a esperança. Nunca deixe de acreditar no trabalho de vocês. Nunca deixe de sonhar, de ter o seu trabalho e de exercer ele da forma mais séria possível.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Toquinho @ O Filho que eu quero ter

Minha mãe cantava essa música para mim durante a infância. A música sempre foi uma coisa muito importante e presente na minha vida. A minha mãe é pianista e médica. Ela também enfrentou problemas por causa dessas coisas. É muito chato e complicado. É difícil. Você acaba não vendo muita perspectiva, você precisa ser até muito teimoso. O importante é essa teimosia virar um resultado positivo. Quando der certo eu venho aqui contar pra vocês, tá?

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Um comentário sobre “Entrevista Eduardo Silva

  1. Muito foda Edu. Parabéns pelo excelente depoimento. Identifiquei-me muito com ele e sei que muitos vão se doer ao lê-lo. Aqueles que nos julgam como vagabundos ou “vida fácil” são os mesmos que ao fim do dia ligam seu rádio e ouvem as músicas que criamos e produzimos. Hipocrisia…. Apenas isso.

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