Entrevista Teresa de Lisieux

Teresa de Lisieux Omena, 24 anos.

Sou Psicóloga.


Teka 01

Eu sofro preconceito principalmente por questão de peso. As pessoas realmente não entendem, são meio ignorantes no sentido de entender a compulsão alimentar. Que realmente tem pessoas que descontam tudo na comida. E, apesar de eu ser psicóloga, e estar tentando lidar com isso em terapia, ainda é um pouco difícil, por isso não estou conseguindo ainda emagrecer.

Eu nem me incomodo tanto hoje em dia, as pessoas se incomodam mais do que eu com a minha situação. Sofri bullying por ser baixinha, na escola me chamavam de tampinha, toco de amarrar jegue, pingente de trem-bala, chaveirinho. Diziam que eu era muito pequenininha, que não podia entrar nos cantos, ou que eu era gorda demais, e as pessoas diziam que não queriam ficar comigo porque eu era baleia. São coisas que durante a infância e adolescência incomodam bastante. Hoje em dia, eu não estou nem aí.

Teka 02

Sou baixinha devido à hidrocefalia, condição que foi detectada durante a gravidez. Eu tive que ser tirada aos oito meses por cesárea e, com dez dias, fiz a minha primeira cirurgia. Eu fiz mais seis cirurgias fora essa, na cabeça e no abdômen, e tenho cicatrizes no corpo todo, mas apesar de tudo, levo uma vida muito normal.

As pessoas, hoje em dia, estão levando mais de boa a minha aparência, menos o peso. O sobrepeso é uma coisa que sempre reparam, principalmente a família, que é de quem eu mais escuto que estou gorda. Eles deviam me apoiar ou, ao menos, entender. Eu tenho mais apoio de gente de fora do que de dentro de casa.

Eu geralmente me isolava em situações assim. Apesar de eu ser uma pessoa extrovertida e falar muito com as pessoas, eu preferia me isolar. Nunca andava com ninguém, nunca me encaixava em grupos na escola, então, era mais sozinha nos cantos. Cumprimentava as pessoas, mas não me sentia entrosada.

Teka 04

Ter passado por isso mudou muito a minha compreensão a respeito do preconceito. Hoje, me incomoda ver alguém taxar alguma pessoa de alguma coisa.

Acho a pior coisa do mundo você julgar alguém porque é magro demais, gordo demais, porque tem cabelo diferente, porque tem tatuagem. Eu tenho tatuagem, eu tenho cabelo diferente, eu sou diferente, mas eu sou eu!

Depois de muitos anos de terapia, no caso, eu já faço há 10 anos, fui começando a me aceitar. Hoje, eu uso até sandália rasteira coisa que na minha época de estudante, eu usava até tênis de salto para não falarem de mim.

Eu não me aceitava como baixinha. Sentia muita dificuldade. Hoje em dia, não!

Teka 06

Uma mensagem que eu posso deixar para as pessoas que passam por situações com o preconceito ou até mesmo uma história parecida com a minha é que primeiramente eu acho que você precisa se aceitar como você é. Se você é desse jeito, algum motivo ou situação levou você a ser assim.

Acho que você descobrir o que levou você a ter algo como compulsão alimentar, que não é algo com o que você nasce, mas é algo que você adquire com o tempo por questão de ansiedade ou algo do tipo. E eu sei que a minha compulsão alimentar, sim, tem a ver com essas pressões psicológicas que eu sofri durante toda a minha vida. Acho que você tem que, antes de tudo, se amar. Se amar bastante. E entender que você é lindo do jeito que você é, independente da situação que você está passando.

Teka 05

Acima de tudo, você tem que ser você! É melhor do que ser o que os outros querem que você seja. Aconteceu uma vez comigo de um rapaz que eu já tinha namorado antes, que queria voltar e surgiu com a proposta: “Eu volto com você se você entrar para a academia e emagrecer”. Eu disse que se ele estava procurando alguém por aparência, ele não encontraria nunca. Sempre se encontra algum defeito. Existe a lei gravidade, você vai envelhecer, isso é um fato! Acho isso tudo muito relativo.

Sim, me acho bonita. Sou gordinha, e daí? Eu não me incomodo. O pessoal diz que eu estou rebelde. E eu digo que não, que apenas estão se incomodando demais com algo que não está me incomodando. Quando começar a me incomodar, eu mudo!

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: All About That Bass – Meghan Trainor

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6 comentários sobre “Entrevista Teresa de Lisieux

  1. Eu adorei te conhecer de verdade, você é uma guerreira e sua história é linda. Nunca abaixe a cabeça pra ninguém e continue sempre assim com esse sorriso lindo estampado no rosto. Um beijo

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  2. Muuuito bom teu depoimento Teca….Excelente!! =D
    As pessoas nunca estão felizes com o que veem nas outras pessoas, só que muitas não caiu na real a respeito da realidade na qual vivemos e se deixam levar pela beleza que a própria mídia e outros meios de comunicação passam a sociedade. Não é legal ditar como alguma coisa ou alguém deveria ser. Viver de esteriótipos não está com nada.

    Beijoooss

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  3. Isso ae Tecaaa!!!! Gostei do desabafo. Muito bom o texto. Continue assim, se aceitando, nao ligando para opnioes dos outros, sendo voce mesma!!! Afinal de contas temos que nos aceitar, como nos somos!!! E so quem tem direito de nos julgar é Deus!!! Gostei muito. Parabéns pela coragem!!! Beijos!!!

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