Entrevista David Souza

David Souza, 26 anos.

Sou estudante de Direito.


David 1

O fato de ser albino me fez ter a vivência com o preconceito desde muito cedo. Quando eu era criança, no colégio, me davam muitos apelidos, o que gerava muitas confusões por causa do preconceito.

Eu era um pouco rebelde quando mais novo. Mas, quando eu fui crescendo, eu fui vendo que essas pessoas que viviam com preconceito, não significavam nada. Hoje, o curso de Direito me ensinou muitas coisas, como por exemplo, quando alguém vem com preconceito comigo, eu ignoro. Eu faço a minha parte. E hoje não é como antigamente, que não tinha processo se acontecesse o bullying ou o preconceito. Hoje em dia, qualquer coisa dá em processo, até mesmo se você chamar uma pessoa de feia, você precisa responder por isso.

David 2

Recebia muitos apelidos quando era criança. Manga rosa, camarão, vela branca… Mas, hoje, as pessoas que tinham preconceito, se dão muito bem comigo. A gente cresceu, amadureceu!

Mas, passei por algumas humilhações depois que atingi a fase adulta, foram com algumas pessoas da família, que duvidavam que eu tivesse potencial para alguma coisa. Quando eu passei para a minha primeira faculdade de Administração de Empresas, um familiar meu perguntou o que eu ia fazer com esse curso se eu não tinha empresa. Foi o pior Natal da minha vida. Fiquei de um jeito como se eu tivesse levado uma tapa na cara. Mas, um primo meu, no Natal passado, quando ele passou na primeira faculdade dele, ele estava se abraçando com todo mundo. E eu sonhava ser abraçado por todo mundo.

Acabei não gostando do curso, fui fazer Direito logo em seguida e, hoje, estou quase me formando. Esse familiar que disse isso para mim, não foi necessário eu contra-atacar. A vida mostrou. Mas eu não tenho raiva dessas pessoas, não.

Hoje em dia, eu peço a Deus que abençoe essas pessoas, para que elas mudem o pensamento delas e sejam mais humildes. Sabe, eu gosto de mim mesmo, eu procuro sempre me relacionar com várias pessoas, procurar sempre outros tipos de atividades, por isso eu estou e sou tranquilo.

David 3

Tudo mudou com o passar do tempo. Antigamente, tudo o que acontecia eu contava para os meus pais e eles resolviam. Quando eu fui saindo da fase infantil e entrando na adolescência, eu passei a resolver eu mesmo essas questões de preconceito. Da adolescência para a fase adulta, mudou mais ainda. Hoje em dia, ainda passo por algumas situações, mas eu “tiro de tempo”.

Quando eu passo em alguns cantos, algumas pessoas ainda soltam algumas piadinhas comigo, mas para mim eles não são ninguém. Passo direto, tranquilo. Fica feio para eles, que estão se expondo ao ridículo. Eu não dou valor ao que falam para mim.

David 4

Graças ao preconceito eu aprendi a acordar enquanto era tempo. Antes, eu era muito desligado, vivia muito no mundo da fantasia. Chegou um tempo em que eu tive que acordar para a realidade, tive que ser o novo David, que eu estou sendo hoje. Um David que, se estiver certo, ele vai até o final, mas, que se ele estiver errado, ele tem que ter humildade para reconhecer o erro.

David 5

Um recado que eu posso deixar para as pessoas que passam por situações como a minha é que sejam otimistas, que sejam exemplo de superação, para que sejam fortes e tenham muita sabedoria e serenidade para viver a vida. Não dar atenção aos preconceitos e, sim, sentir o que elas pensam de si mesmas.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é:  Still Loving You – Scorpions

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