Entrevista Bianca Fagá

Bianca Fagá, 28 anos.

Sou Chef de cozinha e professora.


Bia 01

Desde que me entendo por gente eu sofro muita discriminação física. Inicialmente, porque eu sempre fui um pouco gordinha, e também dentuça. Então, vinham logo os apelidos: Mônica, dentuça, coelho, castor, marmota. Uma série de apelidos que acabam associando a animais.

Depois que isso começou a aconteceu eu comecei a engordar mais ainda. Eu nunca fui uma menina feminina, eu sempre gostei das roupas que meu irmão usava. Me sentia mais à vontade com roupas largas, e acho até que para esconder um pouco do meu corpo, porque eu tinha vergonha dele. Então, começaram a surgir outros apelidos: mulher-macho, paraíba, Biancão, sapatona, uma série de coisas que nem sempre estavam relacionadas comigo, de fato.

Para piorar, quando eu entrei para a fase adulta, a minha voz começou a ficar grossa, e foi aí que o preconceito piorou. Sempre sofri muita discriminação em relação a isso. Sempre ouvi de pessoas próximas a mim que eu nunca casaria, nunca arrumaria namorado. Mandavam eu melhorar a postura, emagrecer, usar maquiagem. Isso tudo sempre me incomodou muito.

Eu não me sentia à vontade em ser como eu era porque as pessoas não deixavam eu ser como eu gostaria de ser. Era muito complicado em relação a isso. Sofri preconceito a vida inteira.

Bia 02

Inicialmente, eu chorava bastante. Quando era criança, levava para casa e sofria muito. Em tempo de escola, eu pensava em levar o assunto aos professores e diretores, mas era complicado porque até eles tinham preconceito comigo por causa disso. Até eles me tratavam mal. Tive professora que encostou a mão em mim, tive professora que me chamou de burra e disse que eu nunca ia aprender, porque eu tinha um pouco de dificuldade de aprendizado. Então, eu tive vários problemas em relação a isso. Mesmo depois, entrando na adolescência, pela 5ª ou 6ª série, mesmo com a cabeça melhor, parece que enfrentei a maior onda de apelido. Eu sofria mais ainda. Tentava não aparentar o sofrimento e me segurava.

Bia 03

O conselho que me davam era para levar isso numa boa, para levar para casa e lá jogar fora. Para não guardar rancor. Isso tudo sempre me atingiu de certa forma. Uma vez, cheguei ao meu limite, estourei e fui para cima de um menino no colégio. Fui suspensa por ter batido nele e ainda saí como errada. Disseram que ele estava com problemas, mas o que tinha a ver? Ele me provocou, quebrou meu CD e ainda incentivou a sala inteira a me xingar. Depois que cheguei ao limite, eu decidi que seria outra pessoa dali para a frente.

Bia 04

Hoje em dia, levamos tudo muito a sério. E a gente não vai levar nada disso, a não ser o aprendizado. Hoje não levo mais rancores das provocações e esse tipo de coisa. O importante é ser você. Você está feliz sendo o que você é? Então, segue em frente! Sempre se pergunte se está feliz. Se estiver, corra atrás de seus objetivos.

Bia 05

Uma mensagem que posso deixar para as pessoas que passam por situações como a minha é que descarreguem esses problemas de alguma forma. Procurem não se importar com isso e descarregar de alguma forma positiva. Encontrei isso na arte. Comecei desenhando e, hoje, a minha arte é cozinhar. Descarregue em alguma coisa que vai te fazer bem.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Pitty – Me Adora

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2 comentários sobre “Entrevista Bianca Fagá

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