Entrevista Bruno Freire

Bruno Freire, 23 anos.

Estudante de Psicologia.


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Sofri bullying por ser gordinho. Na escola, eu sempre quis me enturmar com os outros meninos que jogavam futebol, essas coisas, e ninguém me queria porque eu sempre era ruim, porque eu não corria, porque eu era o gordinho. E na rua, até hoje eu tenho apelidos como “gordo”, “Fausto”. Mas hoje, eu aceito. É mais tranquilo e ainda fico brincando com isso.

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Muitas vezes eu era chacota, e muitas vezes as pessoas projetavam em mim. Diziam que se eu quisesse emagrecer, eu emagrecia. Diziam que se fulano havia emagrecido, eu também poderia emagrecer. Normalmente, as pessoas me depreciavam por eu ser gordinho.

Eu ficava muito triste, pensava em fazer greve de fome. Meu primeiro pensamento em relação a ser vegetariano, era só comer fruta durante algum tempo, só para perder peso, mas eu não conseguia. E eu me sentia muito triste, porque eu não era aceito do jeito que eu era.

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Minha mãe e minha irmã sempre me deram muita força para emagrecer. Principalmente quando eu coloquei na minha cabeça que eu queria emagrecer, elas acreditarem em mim e eu consegui. Meus amigos, os que eu chamo de amigos hoje, me deram muita força também. Não vou citar nomes, porque quem é meu amigo de verdade sabe que é. Me deram muita força e me dão até hoje para continuar assim, magro.

No começo, ninguém acreditava que eu fosse conseguir ser vegetariano. Muitas pessoas diziam que eu era fraco. Deixa eles coma as opiniões deles, né? Eu tento seguir adiante com o que eu tenho, o que posso e o que acredito. Ouço muita piadinha quanto a isso. Uma amiga minha me chama de alface. Ouço alguns apelidos em relação a isso, muita gente tira onda, muita gente pergunta o que eu como, de onde eu tiro proteína, como eu quero ter força, e me mandam comer direito. Ninguém se preocupa em chegar e perguntar como eu consigo, como eu faço, o que eu penso. Sempre acredito que vou adoecer, que vou ser fraco. É chato isso.

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Desde criança eu sonho em ser atleta. E duas pessoas me marcaram muito, foram meus dois treinadores de luta. Um deles falou que se eu pudesse conhecer o outro lado, eu conheceria uma vista maravilhosa. Que eu vivia no meu mundinho, ali.

Um dia, eu queria lutar e perguntei a ele se eu deveria disputar o campeonato e ele disse que acreditava em mim e que eu poderia conhecer a vista. Esse foi o meu professor de kung-fu. E o meu professor de MuayThai disse que se eu quisesse ser um bom lutador, seria feito um bom lutador. Se eu fosse um lutador ruim, eu seria qualquer coisa, nunca seria reconhecido. Isso ajudou muito no meu sonho de conquistar alguma coisa. Também veio a minha vontade de ser vegetariano. Isso me ajudou bastante, inclusive com alimentação saudável. E aqui estou.

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Tenho duas frases em mente de dois filósofos que marcaram muito a minha vida. Uma, é do Martin Buber: “Fatal, mesmo, é crer na fatalidade”. E outra é do Jean Paul Sartre “Não importa o que fizeram com você. O que importa é que você faz com aquilo que fizeram com você”. Por isso, a mensagem que eu deixo para as pessoas que passam por situações como a minha é que nós podemos mudar as coisas, nós temos um poder criativo muito grande para dar a volta por cima.

Existir é muito mais do que estar apenas com a atividade orgânica em dia. Acredito que é estar bem consigo mesmo e com o que está ao seu redor.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Matisyahu – Live Like a Warrior

A música fala muito em viver e lutar como guerreiro. Ela me define porque em toda a minha vida eu resolvi lutar. Não é à toa que eu escolhi esse caminho. Sempre lutas, lutas, e nunca foi luta contra os outros, foi luta contra mim. Luta contra a minha vontade. Várias vezes quis comer algo que não devia, mas, por estar na dieta eu não comia.

Tem uma pergunta que sempre faço para mim, do Nietzsche: “Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?”.

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