Entrevista Diego Brauna

Diego Brauna, 26 anos.

Sou Designer Gráfico.


Brauna 01

Atualmente, está um pouco mais normal. Mas, sofri, principalmente, por causa do meu cabelo. Em entrevistas de emprego, por exemplo, a primeira coisa para a qual olham é o meu cabelo, meus dreads. Aí já ficam com aquele olhar meio torto, eu sempre noto. Ou, então, porque eu andava mais largado, com roupa diferente. Pelo meu estilo, mesmo. Antigamente, quando eu entrava em alguns supermercados, os seguranças ficavam me seguindo.

Brauna 02

Aconteceu uma coisa que eu nunca vou esquecer. Quando eu era mais novo, comecei a estudar em uma escola daqui. Era novato, fiz amizade com um pessoal. Fiz amizade com um menino, eu ia na casa dele, tranquilo. Eu, na época, não percebia.

Só soube porque ele me falou que a mãe e o padrasto dele disseram que não era para ele andar comigo porque eu era negro, que era para ele evitar andar comigo.

Anos depois, a mãe dele veio me pedir desculpas, chorando, e disse que eu era uma boa pessoa, que tinha me julgado errado. Eu disse que estava tranquilo. Hoje em dia, eu a chamo de tia, durmo na casa dela, está tudo bem.

Brauna 04

Eu sempre levei na esportiva. Nunca fiquei depressivo ou com dengo. Eu sempre relevei. Tirava onda de volta, achava graça, às vezes.

Minha família e meus amigos sempre estiveram do meu lado para tudo. A minha mãe foi a primeira a incentivar a deixar o cabelo crescer. Eu deixo meu cabelo crescer há uns 12 anos, mais ou menos desde 2003. Naquela época, eu era pivete e fazia aquele corte chanel. Deixei meu cabelo crescer, fui fazendo trança normal, trança raiz, e depois eu fiz o dread.

Brauna 03

Ter sido vítima do preconceito mudou a minha compreensão sobre preconceito. Sofrendo preconceito, dá para a gente saber como as outras pessoas se passam em determinada situação. E eu, antes de julgar, eu procuro saber do outro lado, antes de apontar o dedo na cara.

Brauna 05

Uma mensagem que eu posso deixar para quem passa por situações como a minha é que tentem relevar ao máximo. E tentem entender que a humanidade é assim mesmo. Tenham paciência até quando der. Se você se importar muito, você não vai conseguir viver direito, e só vai ter raiva. É melhor relevar, levar na esportiva e, se possível, até rir da situação.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Red Hot Chilli Peppers – Otherside

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