Entrevista Stefanny Costa

Stefanny Moreira Costa, 25 anos.

Sou Fisioculturista e Nutricionista.


Stefanny 01

Eu passei por uma fase que, a partir do momento em que eu decidi que eu não queria mais viver da forma em que meus amigos viviam, de balada e sair para festejar a noite, eu me olhei no espelho e não gostei de como eu estava. Então, eu parti para um mundo totalmente diferente, que era o do fisiculturismo.

Eu tive que mudar alguns hábitos, na verdade, eu tive que mudar tudo na minha vida, principalmente a alimentação. Eu já praticava atividade física, já estava na academia há mais de quatro anos. Mas, eu sofri muitos preconceitos, porque não é fácil sair com os amigos e ver todo mundo comendo de tudo e precisar responder que eu não podia comer porque eu tinha objetivos para atingir.

Tive que ouvir várias críticas, ouvir as pessoas dizerem que eu estava ficando feia, que eu precisava parar, que eu ia morrer, que eu estava treinando muito e que eu não podia restringir a minha alimentação. Eu sabia o que eu estava fazendo. Era o meu foco, que estava lá na frente, e eu só enxergava aquilo.

Para eu chegar onde eu queria, eu tive que passar por cima de todos os comentários, por vezes maldosos, em ter que escutar que eu estava começando a parecer um homem porque eu estava desenvolvendo músculos.

De certa forma, eu entendo, até porque a minha transição foi muito chocante. Em três meses, eu perdi 10kg e, com seis meses, eu já estava subindo no palco para competir. Me fechei para o mundo externo e pensei que se eu quisesse fazer alguma coisa, eu deveria tentar logo chegar ao meu objetivo. Eu aboli da minha vida tudo o que pudesse prejudicar o meu objetivo. Então, ir para a balada e não conseguir acordar cedo, comer na rua coisas que não eram muito adequadas… prejudicavam.

Stefanny 02

Na rua, eu já escutei as pessoas cochichando e indagando se eu seria homem ou mulher.

Na faculdade, eu via as pessoas olharem para a minha comida com cara de nojo e, algumas ainda perguntavam se eu ia comer aquilo. Eu comia sempre frango e batata doce que, na época, era o que eu podia pagar, porque eu era estudante e tinha uma renda limitada. As pessoas sempre ficavam criticando. Eu tive que começar a me blindar de certos comentários.

Às vezes a gente não está bem, mas precisa se fortalecer por dentro. Tem que tentar não ligar para o que estão dizendo, porque eles não sabem o que dizem.

Stefanny 03

Quando você tem um grande grupo de amigos, você começa a ver quem realmente é seu amigo de verdade, os que vão te apoiar. Eu tenho amigas que conto nas mãos que, realmente, essas estiveram do meu lado quando eu pensei que não aguentava mais e que eu iria parar porque a dieta começa a ficar muito restritiva em um certo momento.

Minhas amigas me apoiaram e não me deixaram desistir.

A minha mãe sempre me deixou muito livre para fazer o que eu quisesse, mas, ela me dizia todos os dias que eu estava horrível. Ela me criticava para que, de alguma forma, aquilo me atingisse e me fizesse parar.

Minha mãe dizia que mulher devia ter corpo de mulher e fisiculturista não tinha corpo de mulher.

Às vezes eu precisava sair e estava apressada, precisasse fazer alguma comida para mim, ela fazia. Se faltasse a comida, ela comprava. Ela falava, mas, de certa forma, apoiava. Meu pai sempre foi tranquilo, não fala e não reclama. Hoje, eles têm orgulho do que eu faço. Percebo que a resposta é diferente do início.

Stefanny 04

Ter passado por situações com o preconceito mudou com certeza a minha forma de ver as situações. Antes de eu querer ser fisiculturista, eu olhava para as mulheres que são, em cima do palco, e pensava em como uma pessoa chegava àquele nível. Como uma pessoa chegava a um nível tão grande de sofrimento para ficar assim, feio? Eu achava feio. Até que, um dia, eu vi uma fisiculturista fora de competição e comecei a pensar diferente. Associei que o físico que se via no palco era apenas para o palco e que, fora dele, são todas lindas.

Eu vi que o preconceito na cabeça das pessoas existe porque elas não conhecem, de fato, a coisa como ela é. Eles associam a imagem do fisiculturista ao uso de esteroides e anabolizantes e que só é isso que fazem. Não é verdade. Tem muita trabalhadora, mãe de família, dona de casa, que compete. As pessoa têm o costume de enxergar apenas aquela pessoa em cima do palco, e não é bem assim.

No Brasil, é preciso trabalhar também, pois, não se vive só do fisiculturismo. A gente tem que abrir mais a cabeça em relação a essas coisas e isso me fez quebrar o preconceito inicial, porque eu vi, realmente, como a coisa funciona.

Stefanny 05

O recado que eu posso deixar para as pessoas que passam por situações como a minha é que simplesmente não dê ouvidos ao que os outros falam. Se você sabe o que está fazendo e se acredita que pode chegar lá, assim como eu fiz, bloqueie as críticas, porque quem está de fora, não sabe o quanto você está batalhando. Não sabe da sua luta diária.

Eu acho que, se ninguém está ali, sofrendo junto com você, está só olhando e criticando de fora, ninguém deve falar. Muitas vezes, você aparenta ser algo que você não é. Se você tem um objetivo, você precisa focar nele. Fazer tudo com responsabilidade, claro, e pegar as críticas e utilizar a seu favor para que, lá na frente, a pessoa passe a elogiar, em vez de criticar.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Bon Jovi – Living on a Prayer

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