Entrevista João Pedro Ribeiro

 João Pedro Ribeiro, 21 anos.

Sou suporte de TI.


QOS-2

Todo mundo já sofreu um tipo de preconceito, eu acho. Independete de ser na escola, com os amigos, no trabalho, por cor, etnia, ou classe soaicl. Mas o que me marcou bastante foi o preconceito com a minha aparência, meu estilo, meus alargadores e tatuagens. Esse jeito mais diferente para o padrão da sociedade.

QOS -1

No trabalho, com meu primeiro emprego, que ainda é o atual, eu tive um supervisor que nos meus primeiros dias de trabalho conversou comigo e disse que na empresa não podia usar alargador e que o meu cabelo estava muito grande, que eu tinha que cortar.

Eu comecei a trabalhar sem os alargadores e cortei o cabelo, mas não muito, apenas um pouco mais curto. Quando eu fui trabalhar no dia seguinte, ele foi extremamente grosso comigo, dizendo que eu não havia atendido o pedido dele e que eu estava sendo rebelde. Eu me senti perseguido, pressionado por essa pessoa. Um dia, ele me chamou para conversar e disse que aquele era o meu emprego e que a minha carreira estava começando, e que se eu continuasse com aquela postura eu não ia  crescer dentro da empresa, que eu não seria nada na vida.

Como meu supervisor poderia medir meu trabalho por causa da minha aparência?

Sempre fiz tudo da melhor forma possível, para me destacar, para me superar e ser melhor do que eu já era. Por que me julgar pelas minhas aparências e não pelas minhas habilidades? Hoje em dia, essa pessoa não trabalha mais lá, infelizmente não pôde ver o meu crescimento, porque quando acabou a minha experiência como Jovem Aprendiz eu fiquei em um setor de  respeito na empresa, onde eu tenho uma certa liberdade.

As pessoas ao meu redor não têm problema nenhum com a minha aparência, com o meu estilo. Eles me conhecem pelo que eu mostro ser dentro da empresa, com o meu profissionalismo.

QOS-3

Durante o ocorrido eu fiquei muito chateado, sem saber como agir. Eu não sabia se eu me tornava quem ele queria que eu fosse ou se eu continuava sendo quem eu era. Foi um choque, posso dizer assim.

Eu nunca fui muito de me abrir com a minha família, sabe. Sempre morei com minha mãe, minha avó e meu avô. Quando eu tinha uns oito anos de idade, meu avô e minha avó começaram o processo de separação e foi muito difícil. Meu avô saiu de casa e ficamos eu, minha mãe e minha avó. Pouco tempo depois, a minha mãe casou, foi morar em outro estado, e eu preferi ficar com a minha vó. Mas nunca fui de desabafar com a família, acho que por esse histórico de não ter muita liberdade dentro de casa. Mas eu sempre tive os meus amigos para dar aquele apoio e me escutar, apoiavam as minhas decisões quando achavam que eu estava certo e me ajudavam quando achavam que eram decisões erradas.

QOS-5

Ter sido vitima do preconceito mudou bastante minhas opiniões. Para mim, preconceito era só quando você atingia uma pessoa verbalmente, xingando algum defeito, cor, racismo em geral, preconceito com religião… Mudou sim. Eu passei a me colocar mais no lugar das outras pessoas.

Sempre tentei me apoiar em músicas. Elas sempre ajudaram a passar por momentos difíceis na minha vida!

QOS-4

O recado que eu deixo para as pessoas que, assim como eu, passaram por algum tipo de preconceito é que levante a cabeça. Muita coisa a gente pode evitar se guardar para si. Não rebata agressão com agressão. Se for uma coisa que você pode relevar, leve na brincadeira, responda com um sorriso. Mostre para a pessoa quem você é e faça ela ver que o que tem dentro é o que importa. É certo que algumas pessoas que ofendem de uma forma tão brutal que você precisa tomar uma atitude um pouco mais firme, precisa se impor, dizer que aquilo que ela está fazendo prejudica você de alguma maneira.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Pink Floyd – Us and Them

Porque como diz no começo da música, somos todos apenas homens comuns. Não precisa você distinguir uma pessoa pelo que aparenta ser, pelo que tem ou o que não tem.

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