Entrevista Coletiva

Marcelle Mota, 24 anos, estudante.
Carolina Andrade, 19 anos, estudante.
Jussara Silva, 23 anos, faturista.
Joana Tenório, 33 anos, empresária.

Todas unidas por um hobby em comum: o futebol americano.


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Equipe do Quebre o Silêncio Pergunta:

Qual o tipo de discriminação que vocês sofreram?

Marcelle: O preconceito maior vem pelo fato de o futebol americano ser um esporte de contato. O pessoal já se assusta em querer participar por achar que o esporte não é para mulher, é só para homem. Nós jogamos e continuamos sendo muito femininas, isso não interfere em nada. Somos mulheres fazendo o que gostamos!

O futebol americano é tachado como um esporte violento, o que na realidade não é. Assim como todo esporte, a gente corre o risco de se machucar, mas o futebol americano é muito mais estratégia e habilidade do que a violência que falam.

No caso do meio social, com trabalho, família e amigos, como foi a reação por conta do esporte?

Carol: A princípio foi de rejeição. Aos poucos é que foram se acostumando e aceitando. Mesmo assim, algumas vezes ainda sofro, ainda encaram. Mas eu não vou mudar já que é isso que eu gosto.

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Como as pessoas lidam com o fato de vocês terem escolhido esse esporte? E qual a reação de vocês diante de todo o preconceito?

Jussara: Temos força de vontade. Se a gente gosta de esporte diferente, nós vamos em busca do que gostamos. Faz parte do esporte o contato e o raciocínio nós gostamos disso. Do mesmo jeito que outras pessoas gostam de esportes mais comuns, nós gostamos do futebol americano. É importante respeitar.

Já aconteceu algum fato marcante na vida de vocês por conta dessa escolha de vocês?

Joana: Em toda a minha vida, eu sempre participei de esportes não muito comuns para as mulheres. A vida toda eu sofri preconceito, sempre olharam torto para mim, sempre disseram que os esportes que eu gostava de fazer não era coisa de mulher, era coisa de homem, ai acabam até nos tachando. E na verdade, eu acho que qualquer atividade física pode ser feita por qualquer pessoa. Basta querer!

No futebol americano, a gente sente ainda mais, porque além de não ser comum no Brasil, também é tachado como um esporte de brutalidade. As pessoas têm uma visão muito errada do esporte, pensam que só se utiliza a força, e na verdade existe uma gama de coisas.

Quando a gente vai às ruas para panfletar sobre as Harpias, nosso time de futebol americano feminino,convocamos novas atletas a participarem do time com a gente. Nós vemos as pessoas estranhando os panfletos, outras perguntando do que se trata, pois muita gente nem conhece o esporte e, os que conhecem, também observam o fato de que somos mulheres em busca do reconhecimento. É aquele preconceito muito velado, mas a gente percebe que acontece.

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O que vocês diriam para as mulheres, especialmente, que querem fazer o esporte mas se sentem intimidadas ou têm um certo receio?

Marcelle: Diria que o esporte não é violento. O esporte é mais inteligência, como um jogo de xadrez, e se utiliza de raciocínio, força e habilidade.

Jussara: É importante dizer também que é um esporte para qualquer idade, qualquer tipo físico. Do jeito que você for, você vai se encaixar no esporte.

Carol: É um esporte bastante democrático.

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Ter sido vítima do preconceito mudou a sua compreensão sobre o assunto?

Marcelle: A gente só aprende mais. A gente aprende a conviver, querendo ou não. Até porque, o preconceito acontece por causa da ignorância das pessoas. O mais importante é levantar a cabeça, sacudir a poeira e tentar, de alguma maneira, através do diálogo, mostrar que não é bem assim como as pessoas acham.

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♬) Uma música que quebra o nosso silêncio é: Common and John Legend – Glory.

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