Entrevista Renata Ribeiro

Renata Ribeiro, 24 anos.

Sou Publicitária.


Re 01

Sofri preconceito por ser magra, a minha vida toda. Mais na pré-adolescência e na adolescência. Eu não participava de nada. No colégio tinha jogos internos e ninguém me escolhia para o time porque eu não tinha força, porque eu não ia ganhar, não ia fazer corpo. Eu era magra, meu cabelo era muito longo e a minha voz sempre foi forte.

E ninguém me aceitava. Eu era excluída mesmo da minha turma e eu não tinha voz, não tinha personalidade suficientemente forte para me impor e dizer que eu também podia, também queria e também tinha direito.

E eu fui levando, seguindo em frente, ouvindo piadinha… De certa forma, me anulei. Na fase em que as meninas começam a arrumar namoradinhos, eu saía com as minhas amigas e todas arrumavam seus namoradinhos e eu sempre era a Olívia Palito. Essas coisas eu escutava e me magoava. Hoje em dia não faz a menor diferença.

Re 02

Nessa época em que a gente está crescendo, está se descobrindo aconteceu uma situação que foi bem marcante. Eu sou do interior, de uma cidade pequena, na qual todo mundo se conhece. E lá, tinha um menino que era bem famosinho na cidade e todo mundo paquerava ele. Eu também paquerava, aquela coisa de pré-adolescente.

Ele me disse que nunca ficaria ou namoraria comigo porque eu parecia um homem porque eu não tinha peito, não tinha bunda e a minha voz era feia. Isso me marcou muito. A gente não esquece, mas perdoa. Para mim, hoje, ele é indiferente. Eu cresci muito mais na vida do que ele. E eu vi que beleza não é fundamental. Pode abrir portas, pode ajudar em determinadas coisas, mas nem sempre.

Re 04

Na época que eu sofri isso, eu fiquei muito triste. Mas com o passar dos anos, quando a minha personalidade começou a ser formada. Quando eu decidi fazer faculdade, saí do interior para vir para Maceió muito cedo e comecei a morar sozinha muito nova, então tudo foi mudando.

Quando eu comecei a lutar pelas minhas coisas, eu vi que não importava o que os outros pensavam de mim, então eu deixei eles falarem e comecei a me preocupar só com as minhas prioridades, com o que me fazia bem. Quem sempre me fez feliz foram os meus amigos e a minha família, que sempre me aceitaram do jeito que eu era e resolvi mesmo dar prioridade ao que realmente importa.

Minha família não foi muito presente nessa época. Mas não porque eles não queriam ou não podiam me ajudar, era porque eu não falava para ninguém, eu tinha vergonha de não ser aceita, de não fazer parte do que a sociedade impõe. Então, eu não falava nada. Chorava, chorava e no dia seguinte começava tudo de novo. Até que a gente cresce, amadurece e vê que não vale a pena.

Re 03

Um objeto que me define bem é o meu celular, afinal é o que eu faço nas horas vagas. Todos os dias, tudo o que eu faço é com música. Se eu não estiver trabalhando ou na rua, eu estou em casa escutando música. E o celular também, eu não vivo sem ele, quem me conhece sabe.

Ter sido vítima do preconceito mudou a minha compreensão de muita coisa. Às vezes você até tem preconceito sem querer, às vezes você faz um comentário que acha que não magoa, mas magoa. Mudou muito.

A gente tem que crescer, tem que valorizar as pessoas, independente das diferenças. Pode parecer uma frase clichê, mas eu tenho isso como uma verdade na minha vida. Eu tenho amigos de todos os esteriótipos que você imaginar. Para mim, lidar com pessoas diferentes é a melhor coisa que tem.

Re 05

Uma frase que eu posso deixar para as pessoas que passam por situações com o preconceito é que não podemos mudar o preconceito. A gente sabe que sempre vai existir, mesmo que a sociedade faça campanha contra o preconceito. Mas ainda existe muito. Às vezes baixinho, sorrateiro, mas existe.

Às vezes, passar por coisas assim, faz você crescer e faz ver o mundo de forma diferente. Faz você ter vontade de provar que beleza não é tudo, que você é capaz de fazer várias coisas sem precisar ser bonito.

A gente não pode mudar o que os outros pensam de nós, mas você pode mudar a maneira com que isso chega ao seu coração. Você precisa se trabalhar e ficar preparado para enfrentar o mundo, que você não vai só ouvir coisas boas.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Nando Reis – Você Pediu e eu já vou daqui

Porque fala de não se arrepender nunca. Independente de a pessoa não querer receber o seu amor. Fala também de perdão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s