Entrevista Lucas Gottardi

Lucas Vasconcelos Gottardi, 20 anos.

Sou fotógrafo.


Lucas 01

Já sofri preconceito por ser gordo, pois eu era muito gordo quando eu era adolescente e também quando eu comecei a tatuar (com 16 anos), sofri muito preconceito na minha família. Eu não entro na casa do meu avô há uns cinco anos por causa disso. Também sofro por ter muitos amigos gays e as pessoas quando não pensam que eu sou gay, já chegam afirmando que eu sou mesmo. Quando eu começo a namorar meninas, falam que é só fachada porque eu realmente sou gay.

Lucas 02

No trabalho, teve um acontecimento marcante, foi um dia que eu fui fotografar um casamento e fiz contato por telefone. Ele quis me contratar, quis saber o preço, e quando eu o conheci, eu estava com uma camisa que mostrava as tatuagens e ele reparou e comentou sobre. Eu disse para ele que colocaria uma camisa social e mesmo assim, no dia do casamento, ele ficou olhando meio assim para mim. A pessoa era muito legal por telefone, mas quando ele me viu, ele foi muito fechado comigo, conversava mais com o meu assistente. As pessoas até fingem que não ligam, mas quem sofre percebe.

Na rua, as pessoas olham torto, atravessam a rua… pensam que por você ser tatuado, o fato de você pegar o celular dentro da calça, já estão achando que você vai pegar uma arma.

Lucas 03

Eu aprendi muito a relevar. Antigamente, eu me estressava muito com o preconceito. Por exemplo, também por parte dos meus amigos. A minha família não gosta muito do meu amigo porque há alguns anos ele se assumiu gay. Ele também assumiu para a família dele e não teve medo de ninguém. Eu falei para a minha família e todo mundo ficou meio assim com ele. Antes, eu batia boca mesmo com a minha mãe. Com o tempo eu fui passando a ligar menos para isso. Já em relação às tatuagens, a minha mãe também fala muito e eu sempre digo para ela me deixar quieto.

Sempre tive apoio mais apoio dos meus amigos já que a minha família quase não apoia nada do que eu faço. Até a minha profissão para eles não é um trabalho, porque fotógrafo não trabalha todos os dias e não tem salário fixo. Eu posso fazer dez casamentos em um mês e receber muito dinheiro, ou não fazer nenhum e não receber nada. Minha mãe também não gostou muito do curso que escolhi. Casos que algumas pessoas passam quando escolhem um determinado curso. Depois ela foi aceitando e começou a me apoiar, mas ela foi bastante resistente no início.

Lucas 05

Ter sido vitima do preconceito mudou bastante minhas opiniões. Porque as pessoas que veem de fora o preconceito acham que é algo banal, mas quando você está sendo vítima ou está dentro de um círculo de pessoas que sofrem com o preconceito, você começa a ver tudo de outra forma.

Você não é o agressor nesses casos, você é o agredido. E isso marca muito mais uma pessoa.

Eu trouxe a minha câmera porque a fotografia é mais ou menos o amor da minha vida. É algo que eu gosto desde que eu tenho 14 anos de idade. Antes, eu queria ser músico, mas depois que eu conheci a fotografia, isso mudou.

Acho que qualquer pessoa que faz algo que gosta, sente um pouco mais de calma quando está fazendo aquilo. Eu fico sem trabalho um mês e fico pensando em fazer umas fotos, fazer algo até de graça. Eu acho que eu me sinto melhor. Editando trabalho, tem gente que repara porque passo horas no computador editando as coisas e eu digo que eu gosto. Eu passo horas editando, ouvindo música.

Lucas 04

Eu acho que dar ouvidos aos comentários é uma coisa que não resolve nada.

Não vai resolver nada querer mudar porque alguém quer que você mude ou te trata com indiferença. Se você é aquilo, você tem que mostrar quem você é e que você não é diferente de ninguém, mesmo que você tenha tatuagens ou seja homossexual, ou você fazendo qualquer coisa que traga preconceito. Acho que o mundo está mudando muito, mas mesmo com o preconceito menos frequente, ele não deixa de existir. E as pessoas têm que aprender a conviver com isso, porque ser preconceituoso não leva a nada, só deixa as pessoas piores.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: System of a Down @ Innervision

Ouvi essa música quando eu tinha 7 anos e comecei a pesquisar sobre a banda e gostei muito. Essa música fez muito para mim, essa banda também. Eu comecei a me sentir mais livre quando comecei a escutar. Hoje eu sou muito mais livre de pensar mais em mim quando quero fazer as coisas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s