Entrevista Antonielle Ferreira

Antonielle Ferreira da Silva do Carmo, 23 anos.

Sou estudante de Direito.


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Sofri vários tipos de preconceitos. Com relação a peso, religião, estilo e até mesmo por causa das minhas marcas naturais, as estrias que eu tenho.

Teve um caso que foi um dos mais recentes, na faculdade. Por ser um curso de Direito, lá existem pessoas que costumam seguir o padrão social de ser todo mundo muito certinho e de andarem engomadinho, e eu nunca fui assim. Como eu comecei em um horário e mudei para o outro com pessoas diferentes que não me conheciam, eles não estavam acostumados com o meu jeito de ser e a partir do momento que eu entrei na sala, o ódio de alguns já começou a aflorar.

Lady 02

Por conta de uma ocasião que teve na sala de aula, um dia em que o professor estava esperando há mais de 45min um pessoal retornar para a sala de aula, eu pedi permissão ao professor para dar um conselho a ele. Sugeri que ele começasse a dar o assunto e que o pessoal que estava lá fora ou já estava passando, ou estava conversando, ou estavam cansados. Ele resolveu prosseguir. E uma ou duas pessoas que estavam na sala, que eram amigos das pessoas que estavam fora, começaram a mandar mensagens dizendo que eu tinha chamado o pessoal de vagabundo. Começou o ódio e as esculhambações. No começo eu quis relevar, mas depois disso, começaram a tirar fotos minhas na sala de aula, às vezes cochilando, às vezes falando com alguém, e faziam montagens e colocavam na Internet.

Quando eu descobri foi a gota d’água para mim, porque dói você ver a sua imagem sendo destorcida assim. Até pensei em entrar com processos e vários advogados que eu conheço quiseram pegar o meu caso, mas eu desisti, resolvi deixar para lá.

Lady 03

No colégio, além de eu ser muito chamada na diretoria pelas irmãs, por ter estudado em colégio católico, muitas pessoas começaram a tirar muitas brincadeiras  de mau gosto comigo, não só por eu ser gordinha, mas também por causa da minha aparência e da minha religião que eram diferentes. Um dia, um menino me derrubou e jogou um lama na minha cara na escola. Esse fato me marcou bastante, mas eu ainda consegui revidar no mesmo dia.

Eu sou praticante e estudante de Wicca. Parte da minha família sabe, a minha mãe apenas desconfia. A religião em si é diferente, porque ela é conhecida como bruxaria moderna e ela é muito confundida pelas pessoas por ter esse nome de bruxaria, porque é comparada com a bruxaria que existia na Idade Média, disseminada pela Igreja Católica. A gente não faz sacrifício com animais, a gente usa magia natural, mexemos com plantas e ervas. Nossos rituais são restritos. É uma religião interessante e acho que se alguém parar para analisar e estudar, vai ver que não é assim. E esse é um dos motivos pelos quais eu sofri preconceito.

Lady 04

Com relação a tudo que ocorreu de ruim, a minha mãe sempre me apoia muito. Meu pai nunca foi presente, apesar de estar vivo, nunca se importou muito. Minha mãe é minha amiga, minha mãe, meu pai, meu tudo. Todos sempre me apoiaram em relação a tudo, inclusive em relação à aparência. No início ela implicava, quando eu era mais nova, mas hoje ela não liga mais.

Ter sido vítima do preconceito mudo minha forma de ver as coisas porque no final das contas, a gente só sente depois que passa.

Depois que passei por formas de preconceito, consegui ver o outro de um jeito completamente diferente. De aceitar o outro e de me aceitar também.

Eu comecei a ligar o “foda-se” mesmo e deixar as coisas rolarem e ser eu mesma, sem me importar muito com o que os outros pensavam sobre mim e tentando apoiar as pessoas que enfrentavam o preconceito.

Lady 05

O meu colar com um pentagrama além de fazer parte da minha religião, eu o tenho como proteção mesmo, é uma coisa que traz a minha energia e que eu tento carregar comigo sempre.

Para quem passa por situações com o preconceito, quero dizer que sejam fortes e que tenham coragem de levantar a sua voz e falar aquilo que pensa e continuar sendo do jeito que é, sem se importar com o que a sociedade tenta impor. E para os preconceituosos eu digo que abram a mente, porque muitas vezes essa mente fechada, além de prejudicar eles mesmos, machuca também as outras pessoas que passam por isso.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: In Between Days @ The Cure

A letra me faz lembrar muito do meu período de adolescência, no qual eu era vista como o patinho feio, ela me descreve muito bem.

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3 comentários sobre “Entrevista Antonielle Ferreira

  1. Ótima entrevista e as fotos ficaram lindas! Que a sociedade veja na diferença a oportunidade de unir. Parabéns, Nielle, pela força e por ser essa pessoa maravilhosa. Orgulhoso de ti. Beijocas!

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