Iniciativas | Desabafo Social

Monique 01Idealizadora do Desabafo Social, uma plataforma de aprendizagem coletiva que tem como missão principal garantir práticas alternativas de educação em direitos humanos, Monique Evelle, uma jovem de apenas 21 anos, revoluciona a forma de fazer o social e mostra seu compromisso com os jovens brasileiros. Mulher, negra e empreendedora, Monique anseia por um mundo mais justo para todos.

Promovendo oficinas, debates e diálogos em várias comunidades, a estudante que mora em Salvador movimenta outros 07 Estados brasileiros junto aos seus colaboradores. Buscando formas de criar mais espaços de debates para promover a cultura de direitos humanos, ela engaja e incentiva novas iniciativas sociais movimentando jovens e adolescentes que acreditam no poder da causa pelos quatro cantos do país.

Em 2015 Monique ficou entre as 10 negras mais influentes da internet brasileira, pelo site Blogueiras Negras e saiu na lista das 30 mulheres com futuro promissor, pela Revista Cláudia e Portal MdeMulher, da Editora Abril. Monique também foi uma das protagonistas da última edição – e capa – da revista Época, abordando o tema Primavera da mulheres, além de receber o Prêmio Laureate Brasil 2015, iniciativa da International Youth Foundation (IYF).

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Ufa, é muita coisa mesmo! São mulheres como Monique que mostram a força e gás dos jovens que clamam por mudanças. Nós nem precisamos dizer que foi um prazer imenso para nossa equipe ter a chance de entrevista-la. Agora vamos conferir de perto um pouco mais sobre a sua jornada com o Desabafo Social.


Monique

Monique Evelle, 21 anos. | Estudante e criadora do Desabafo Social.

QOS: Tivemos a chance de ler algumas matérias tuas e, em uma delas, observamos que você relata sobre o preconceito que passou por ser uma mulher negra. Você poderia contar para a gente qual foi o caso mais marcante que você já passou na vida?

R: Uma das coisas que me marca até hoje, foi ter ouvido de uma professora que eu não iria conseguir fazer uma atividade porque o outro colega era branco e falava inglês. Me senti tão inútil e frustrada por ter ouvido isso de uma educadora.

QOS: Como surgiu o Desabafo Social? Foi, em partes, um desabafo pessoal?

R: Percebi que não era tímida e sim silenciadas pelos colegas com piadas racistas, piadinhas contra mulher negra etc. Sempre quis falar dessas questões, mas não tinha abertura pra isso. Então, criei o Desabafo Social como grêmio estudantil e logo depois fiquei 1 ano e meio rodando as ruas de Salvador conversando com adolescentes e tentando aos poucos desconstruindo o discurso de ódio e alguns estereótipos. Hoje o Desabafo é uma rede. De certa forma foi um desabafo pessoal, porque foi de dentro pra fora.

QOS: Qual a importância do Desabafo social para a sociedade? Você acredita que através das tuas mensagens você consegue impactar outras vidas?

R: Eu não acreditava no que o que o Desabafo era capaz, nem que o que eu escrevo iria impactar, de alguma forma, as pessoas. Porque é tão óbvio o que falo contra racismo, lgbtfobia, sexismo que até se torna repetitivo. Mas as pessoas se sentem representadas pelo Desabafo e eu por cada uma delas!

QOS: Quando você decidiu desabafar todo esse caos social nas redes, o que seus familiares e amigos acharam da sua atitude? Apoiaram?

R: Meus pais sempre me apoiaram, desde o inicio. Eles acompanham as atividades, aparecem nos eventos e tudo mais. Não tive problema com isso.

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QOS: Sentir na pele o que é o preconceito, mudou a sua forma de lidar com a discriminação e, principalmente, a forma de ver o mundo?

R: Demais. As pessoas sempre vão falar que é mimimi, mas só que sente na pele sabe o que é isso. Então eu sei o meu lugar de falar e posso reverberar através das ações que já venho fazendo nas redes, nas ruas e nas escolas.

QOS: São essas pequenas atitudes que mudam o mundo. Quando a gente sabe se colocar no lugar do próximo, tudo fica mais fácil. Sendo assim, qual seria a mensagem que você poderia deixar para os nossos leitores que passaram por situações de preconceito/discriminação como a sua?

R: É difícil, mas não é impossível. É aos poucos que a gente vai tentando ocupar espaços, fortalecer nossa luta. Vai chegar um tempo que não precisaremos mais anunciar nossa presença, porque nossa presença já anuncia.

QOS: Durante as entrevistas, sempre pedimos para o pessoal levar um objeto, se você fosse escolher um objeto que te define, qual seria? Justifique.

R: Um bastão. Assisti a peça “O topo da montanha” com Lázaro Ramos e Taís Araújo que falava sobre o último dia de Martin Luther King. E durante a peça Martin (Lázaro) falou: “Não posso ir embora desse mundo , porque meu povo ainda precisa de mim”. O anjo (Taís) respondeu: “Martin, no futuro terão milhares de pessoas que irão segurar seu bastão. Passa o bastão”.  Eu entendo que eu estou com o bastão agora e aprendi a multiplica-lo.

QOS: Sabemos o quão importante é falarmos sobre o empoderamento da mulher na sociedade moderna. Você, quanto mulher empreendedora, qual foi a maior lição que você poderia replicar durante toda essa jornada?

R: Nome sobrenome importa. Aprendi com Lelia Gonzalez que mulher negra diz nome e sobrenome senão o racismo coloca o nome que quiser. E é verdade. Enquanto eu não fiz isso, sempre tive os piores apelidos que uma mulher negra poderia ter.

QOS: Conta pra gente, qual a música que quebra o seu silêncio?

Campo de Batalha – Móveis Coloniais de Acaju. 

É totalmente descritiva. Sempre encontraremos pessoas que vão dizer ser impossível realizar algo, mas a gente mostra que o campo de batalha está em nosso corpo e em nossa luta. A música fala exatamente disso e o campo de batalha sou eu.


Laurete Brasil

(Desabafo Social: Prêmio Laureate Brasil 2015)


desabagoCONHEÇA MAIS!

 

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2 comentários sobre “Iniciativas | Desabafo Social

  1. Uma grande guerreira. Alguém com fôlego, entusiasmo e iniciativa(elementos fundamentais na luta contra preconceitos de toda ordem). Desejo fé e perseverança para levar adiante e expandir cada vez mais as suas ideias, Monique. FORÇA! !!!

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