Entrevista Daniela Marques

Daniela Marques, 31 anos.

Sou Gestora em RH.


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Tenho endometriose e levei 3 anos para descobrir a doença, e nesses 3 anos que demorou para sair o diagnóstico, sofri vários preconceitos, principalmente dos médicos. Porque quando eu chegava ao hospital e dizia estar sentindo dores, eles diziam que era psicológico, que eu devia estar passando por algum processo, com algum problema, e não era.

Me davam Rivotril, já fiz tratamento com Gardenal, para me acalmar, mas não era isso. A dor era da endometriose. E até descobrir, as pessoas achavam que era brincadeira, que era só uma cólica qualquer, mas não era.

Sofremos porque ninguém acredita, todos acham que é frescura, nada é levado a sério. Ter sofrido com isso da parte dos médicos foi o que mais me abalou.

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Um fato marcante na minha vida foi quando eu tinha 18 anos e fui ao médico. Na verdade, foi quando eu descobri que tinha adenomiose, ainda nem tinha começado a fazer o tratamento, o médico olhou para meu exame e disse que eu não poderia mais ter filhos.

Os preconceitos marcantes sempre foram por parte de médicos. Teve médico que olhou meus exames e desdenhou, dizendo que eu sabia mais que eles, alguns que olharam e disseram que não tratavam, alguns que achavam que eu não estava com dor, mesmo eu estando com muita. As pessoas não entendem isso, a gente acaba se habituando à dor que sente.

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A gente não tinha muita ajuda em casos como esse, pelo menos na época em que comecei a apresentar os sintomas. Se hoje em dia ainda tem muita gente que não sabe, imagine anos atrás. Por parte de médicos, eu nunca tive apoio. Meu único apoio foi a minha mãe, porque o resto da minha família não acreditava, porque muitos achavam que a endometriose era uma doença comparada à menstruação, mas é muito mais.

Ter sido vítima de preconceito mudou a minha compreensão obre o preconceito porque eu acho que com as coisas que eu tinha preconceito, hoje eu sou mais maleável. Por ter sofrido, por ter passado por isso tudo, eu mudei.

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Duas coisas que me representam muito são: minha carteirinha do plano de saúde – O plano de saúde porque 2 ou 3 vezes no mês eu utilizo a urgência por causa de dores fortes ou de sangramento e meu absorvente tamanho Extra GG – sem o absorvente eu não vivo. Uso ele o dia inteiro, todos os dias, por todos esses anos.

Sem essas duas coisas, não conseguiria viver.

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Uma mensagem que eu posso deixar para as pessoas que praticam o preconceito e também para as que passam por situações como a minha é que elas deveriam prestar mais atenção nas outras, acreditar mais nas outras. E quando alguém disser que está feliz, ela está. Quando diz que está triste, ela está. Então, quando ela estiver com dor, ela também está. Claro, sempre existirão as pessoas que exageram a dor porque querem chamar atenção, mas na maioria dos casos não é bem assim.

A gente está muito acostumado a só olhar para o próprio umbigo.

Muita gente acha que ir ao médico e tomar remédio vai fazer a dor passar, e na maioria das vezes ela não passa. A gente que convive com isso. Queria pedir que as pessoas prestassem mais atenção no outro, que elas aprendessem a se colocar no lugar e na dor dos outros naquele momento de dificuldade.

♬) Uma música que quebra o meu silêncio é: Fábio Jr – Contador de Estrelas


 OBSERVAÇÃO: Para saber mais sobre  o que é a endometriose basta clicar na imagem.

saibamais

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